segunda-feira, 14 de maio de 2012

Marítima.

Meu barco em maré calma não me entedia, me satisfaz.
Me sento, tomo um chá de sidreira e olho pro mar, tão perto e distante de mim. Quando poderei alcançá-lo?
Ou sou eu, eu sou o mar. Perto dos olhos, inalcansável ser. Poucos se aproximam. Poucos ousam em pular de cabeça, se afogar de companhia e solidão, e alegria, e imensidão, maré alta, perigosa, horas calma, ora te devora.
Ontem pesquei um peixe grande. Laranja. Tão bonito que o devorei sozinho, por inteiro, só para ele morar em mim, pois sou egoísta e só me resta tê-lo. Para mim, só para mim. E que ele nade com gosto aqui dentro, que se alimente do meu ser e que minh'alma seja a alma dele, e a dele, a minha. Que sejamos um mesmo ser.
Sentei-me de novo. Ele causou rebuliços em mim. Mas gosto, me aparovo e sorrio de novo. Dou dentadas em minha pele e me sinto real, vivo, alegre.
Me jogo no mar. Me afundo, me afogo em mim mesmo, pois sei que só dentro de mim posso me encontrar, e voltar, e ir, e afundar de novo e renascer a cada dia ao meu lado.
Nado na maré alta. Descanso na maré calma. Afogo-me entre os corais mais bonitos. Volto para buscar o amor. Pulo de novo. Danço entre os cavalos marinhos. Conheço o interior de uma baleia, então ela me expele de volta. Me espirra para fora. Pego carona com os tubarões como um parasita que come de seus restos. Depois volto a ser o ser mais importante dali. Sempre serei o mais importante pois sou ele, o próprio mar.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Despedaços de Macaé.

Desculpa por ter libertado o que tem de pior em ti. Tens razão, meu amor... Tens razão. Eu faria o mesmo ou pior. Eu faria tão pior, pois não aguentaria o peso de pensar em não ser amada assim, por completo. Talvez eu realmente não entenda você, porque o amor pra mim sempre foi maior que qualquer coisa. O meu amor por ti é maior que você, maior até que esse teu repulsivo medo e a tua insegurança nervosa. É, eu sei... Me perdoa. Um dia, talvez... Eu não sou assim. Posso ser tudo, mas não isso que dizem e que você pensa que é. Sou enrolada com a vida. Agora não mais. Mas não há nada mais doloroso pra mim do que te ver indo embora. Não há nada mais bonito do que isso que eu senti depois de viver contigo. Não me importa mais nada que não tenha teu nome e sobrenome; teu coração, teus olhos, tua boca... Cuida com carinho de nós dois, pelo menos no plano do teu coração. Porque um dia quem sabe... Ah, como será... Viver em paz contigo.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Carrossel.

Pensei... Sei que sei. Não poderia ter sido de outra maneira. Eu tenho tantos planos, amor, tantos. E comecei a te encaixar em cada um deles. E admito que prefiro pensar em você nos sonhos do que nos sonhos com você, entende? Às vezes nem eu. Comecei a pensar que não quero te esquecer por nem mais um segundo, porque te esquecer seria um desperdício sem perdão, uma manhã nublada, uma tarde sem chuva, uma noite vazia, uma vida em vão. Desisti de outros planos, pois a vida mudou, eu mudei, as situações mudaram; você me apareceu e me consertou, me guiou, me aconteceu. Percebi que a felicidade realmente não se grita, pois se rouba, então tratei de cantar baixinho por nós dois. Te engoli de beijos, sufoquei de calor e te amassei de paciência, riso e abraço. A gente sempre acha que sabe alguma coisa sobre o amor, enquanto não somos nada mais do que a morada da loucura dele. O abrigo, o abismo, a saída. Ele nos transforma, nos cega a toda hora. O que me gerou a falta de percepção em qualquer outra coisa que não seja você. E eu só consigo perceber que quanto mais quero falar, mais a boca se cala. Por medo de dizer demais, de amar demais. Por medo, medo de ter medo. Por ter tanta coisa aqui dentro que não dá as mãos, que não se organiza ou sincroniza mais. Me perdoe a falta de jeito que eu não sei falar. Mas fica. Fica mesmo, que nesses 18 anos vencendo lutas não sou mais ingênua, mas se for para ficar cega, que seja de amor, o amor que acredita em nós.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Aquele ser que é.

Ah! Se não fosse Marinheiro, não seria nada do que sou! Mas um dia hei de ser tudo o que quero ser. Nada me impede de ser o tempo que me é. Traga um destilado que te conto um pouco do que foi.
Gosto do meu mundo, esse só meu, e gosto do dos outros. Gosto do meu cheiro e da minha dor. De cada flor que cultivo e que morre aos meus braços... De cada pássaro que crio e vai embora do ninho. Sigo em frente, e não peça à algum que me pare, que me tire a beleza, que me dê olheiras, que gaste o meu tempo em vão.

terça-feira, 27 de março de 2012

Inventário Cotidiano.

Vem viver comigo, amigo, qu'eu te dou abrigo, qu'eu te dou do que comer. Vem viver de artesanato, vem ver uns quadros e observar as pessoas comigo; dando chilique, dando palpite. A gente pode até se divertir sem se estressar, se aprumar à noite e ir pro bar discutir a nossa bossa e rock'n roll. Nosso show, nosso lar.
Às vezes é silêncio, mas tem tanto barulho aqui dentro, amigo, que preciso te contar. Seria legal te ter aqui, jogar um bilhar, fumar uma mutreta pra variar... Cê vai gostar. Vai ter até família vez enquando, vizinhança e a despedida do Tonho. Vamo pro lado de lá! Que pra lá é melhor que aqui, com mandioca e tucupi, que é pra gente se fartar e não faltar alegria na nossa janta nem no bom dia.

O Guardião de si.

Daqui a pouco eles saberão. Ou um dia, ou uma hora, quem sabe... Mas o verdadeiro segredo nunca será revelado. Ele sempre estará guardado e escrito em um único poço dentro de um ser infinito e profundo, com um só guardião, o próprio dono, não importa quantos anjos passem por sua vida. 
Alguns anjos virarão demônios. Sim, alguns se maquiam, se fantasiam, se transformam...  Depois de um segundo eles nunca saberão o que serão posteriormente, pois são inseguros, frágeis, de fácil infecção psicológica. Ao contrário dele, que sempre será ele mesmo, embora seja um, dois, três, quatro... Ele, unicamente ele saberá de si, e terá seus segredos e cofres e chaves no fundo da alma. Só ele poderá julgar a si mesmo com grande e pleno conhecimento. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Os passos.

Às vezes você precisa aprender a jogar. Não que a vida seja mesmo um jogo, como outros dizem. Não que você precise saber as regras o tempo todo. Não que você precise ser sempre o melhor. Os miseráveis sim, esses tentam ser bons, enquantos outros tem o dom natural de fazer as coisas acontecerem. Mas algumas vezes você precisa de preparo. Quase sempre, se não quiser cair para aprender. É como moldar algo ou preparar o território para o que você precisar. Saber jogar com seus sentimentos, saber lidar com o que você tem e buscar o que você quer e precisa. O mundo é dos espertos, não dos que seguem a mesma linha dos normais.
Um homem muito respeitoso me disse que sonhar não custa nada, mas que também não custa nada sonhar e não sair do lugar. Disse que não podemos ter tudo, mas tudo o que quisermos ter, com esforço, teremos sim.
É preciso ter foco e paciência, e que mesmo nos passos mais rastejantes você chega lá. Às vezes deixar tudo para depois também é preciso, mas tenha a certeza de que quando você precisar correr seu corpo aguentará, e então o coração ficará tranquilo.